Por Kelly Calixto e Daphine Gonçalves


INTRODUÇÃO

A tecnologia dos queijos fundidos surgiu durante o século XX, com a necessidade de controlar processos microbianos e enzimáticos de queijos suíços e alemães, viabilizando a exportação para os países de clima quente. Os processos microbianos englobam desde as mudanças microbiológicas (desenvolvimento das culturas iniciadoras e da própria microbiota natural do leite) até mudanças bioquímicas que ocorrem ao longo da cadeia de degradação da lactose, como por exemplo seu consumo resultando em ácido lático, responsável pela queda de pH. Os processos enzimáticos estão relacionados com as enzimas produzidas pelas bactérias láticas, podendo ter ação lipolítica e proteolítica, contribuindo em aroma, sabor e textura.

O requeijão pode ser fabricado basicamente de duas maneiras. Uma utilizando massa obtida a partir de coagulação enzimática e outra, a partir de massa de coagulação ácida, a qual utiliza a adição direta de ácido lático ao leite para a coagulação da massa. Pode-se adicionar, opcionalmente a essa massa, creme de leite, manteiga ou gordura anidra de leite, isoladamente ou em combinação (SANTOS. 1998). O teor de umidade é bastante variável, podendo o requeijão alcançar uma textura dura, macia ou quase pastosa (CAVALCANTE, 1991).


Na fabricação de requeijão, se faz uma emulsão como poder ser observada na figura 1, é necessário unir moléculas de proteína, gordura e água, deve-se para isto, utilizar agentes emulsionantes, que são chamados de sais fundentes. Sua função é prevenir a separação da gordura no produto, além de garantir homogeneidade e uniformidade. Estes sais têm a capacidade de seqüestrar o cálcio da massa, pois ocorre a solubilização e dispersão da proteína, para formar nova estrutura protéica durante o resfriamento, ou seja, quando os sais fundentes seqüestram os íons de cálcio do caseínato, facilita-se a entrada de íons de sódio que ligam-se ao caseínato, assim tornando-a mais solúvel (VAN DENDER, 2006). Assim quando a massa é aquecida, alcançando o ponto de fusão, juntamente com gordura e água, resulta em um produto homogêneo, estável, com brilho e elasticidade. O primeiro sal fundente utilizado foi o citrato de sódio por Gerber e Estettler em 1911, atualmente sais emulsificantes mais aplicados são fosfatos, polifosfatos e citratos (SILVA.2003).


Os sais fundentes podem também ser aplicados em bebidas á base de leite, manteiga, leite condensado e evaporado. Eles ajudam a dispersar os ingredientes no leite, alem de estabilizar a proteína em produtos que sofrem processo de desidratação.

Há basicamente duas classes de sais fundentes, aqueles que aderem fracamente à molécula de cálcio ou aqueles que aderem fortemente. Sais fracos apresentam menor capacidade emulsionante sobre a caseína e resultam na formação de queijo processado macio com grande percentual de gordura.

Porém sais fundentes fortes possuem bom poder emulsionante e resultam em queijos processados duros, quando há pouca gordura (HASENHUETTL, 1997).

Considerando as diferentes propriedades dos diversos grupos de sais fundentes, é importante ao se preparar uma mistura para um determinado fim, que a relação entre os vários componentes esteja correta. Essa relação depende do tipo, idade, pH, grau de maturação e estrutura do queijo usado como matéria prima. (VAN DENDER, 2006). O pH do queijo afeta a configuração da proteína devido ao ponto isoelétrico da caseína, pH 4.6, pois é neste pH em que a proteína apresenta solubilidade mínima, dificultando a formação da emulsão, devido à fraca ligação proteína-proteína. Durante o envelhecimento do queijo as proteínas sofrem um processo de degradação enzimática, podendo afetar sua capacidade emulsionante.

A faixa ótima de pH para que o sal fundente trabalhe e obtenha bom desempenho emulsionante oscilam entre 5,4 a 6,2. Esta é limitada, pela estrutura do queijo, e pela durabilidade do produto (VAN DENDER, 2006).

O presente trabalho tem como objetivo principal fazer um comparativo reológico, através da análise de firmeza, entre os ensaios utilizando sais fundentes, desenvolvidos no laboratório da empresa Granolab e sais fundentes comerciais. Seu objetivo secundário foi realizar uma comparação quanto as parâmetros físico químicos e pH, entre os ensaios feitos na planta piloto da Granolab e de três marcas comerciais de requeijão cremoso, mostrando que a fórmula de requeijão cremoso utilizada nos testes, estava de acordo com o que se encontrou no mercado.

O resultado esperado é a comprovação da similaridade, a nível de firmeza do produto, quando aplicado os sais emulsionantes desenvolvidos pela Granolab, em comparação aos sais emulsionantes de marcas referência de mercado.

Materiais e Métodos

Para as avaliações destes ingredientes foi desenvolvida uma formulação padrão de requeijão cremoso. Foi elaborada de forma que obedecesse aos padrões de identidade e qualidade para requeijão cremoso. Segue na Tabela 1 a formulação final de requeijão cremoso utilizada para tais testes:

Tabela1: Formulação do requeijão cremoso para testes laboratoriais


Com a formulação predefinida alguns ingredientes passaram a ser testados, tais como os sais fundentes desenvolvidos pela Granosalt 9 e 10. Utilizou-se sais fundentes comerciai 9 e 10 para padronizar a formulação.

A elaboração dos requeijões feitos em planta piloto da Granolab seguiu o processo apresentado na figura 2. Partiu-se de uma massa obtida de coagulação enzimática para a elaboração do produto.

Figura 2: Processo de produção requeijão cremoso

Com esta formulação e processo de fabricação predefinidos passaram a ser testados os desempenhos dos sais fundentes Granosalt 9 e 10. Análises de textura foram realizadas com equipamento Stable Micro Systems TA - XT2 com o Prob P5 5 mm DIA CYLINDER STAINLESS, esta análise resulta valores de firmeza do produto, verificando seu comportamento reológico.

Análises de gordura e umidade foram feitas conforme Normas analíticas do Instituto Adolfo Lutz: métodos químicos e físicos para análise de alimentos, tanto nos requeijões elaborados em laboratório quanto nos adquiridos no mercado. O pH dos produtos foram lidos no pH-metro de bancada BEL. Para os requeijões elaborados na planta piloto, os valores de pH foram lidos após 24h de armazenamento sob refrigeração a 15°C.


3-
Resultados e discussão

3.1 Análise físico-química dos ensaios

O percentual de gordura e umidade bem como os valores de pH para os requeijões elaborados na planta piloto e analisados no laboratório da Granolab seguem na Tabela 2.      

Os requeijões que utilizaram tanto o sal fundente Granosalt 9 quanto o sal fundente Granosalt 10, apresentaram resultados físico químico (% gordura e % umidade) muito próximos aos resultados obtidos para os produtos que utilizaram o sais fundentes comerciais 9 e 10, mostrando que não há diferença entre os ensaios. Alem disso os produtos elaborados estão adequados. De acordo com Resolução n° 82/96. Regulamento Técnico MERCOSUL de Identidade e Qualidade do Requeijão.

Os valores de pH obtidos para os ensaios realizados com Granosalt 9 e 10 estão dentro da faixa ótima de desempenho do sal emulsionante resultando em bons produtos para requeijão, da mesma forma que os valores encontrados nos ensaios com os sais fundentes comerciais 9 e 10.

3.2 Texturometria

A avaliação da textura em requeijão é traduzida em valores de firmeza do produto. O resultado é atribuído ao desempenho do sal fundente no produto, pois é ele que formará uma emulsão estável e homogênea, garantindo brilho e consistência do produto.Conforme pode ser observado na figura 3 para os sais tipo 9 e na figura 4 para os sais tipo 10.

Os produtos que utilizaram os sais fundentes Granosalt, em sua formula, apresentaram textura lisa comparando com os produtos elaborados com sal fundente comercial 9 e 10, com características similares entre si no quesito textura.

3.3 Análise físico-química de requeijões comerciais e ensaio


Comparados aos parâmetros físico-químicos, os produtos obtidos no mercado com os requeijões, que utilizaram sal fundente Granosalt , os valores de pH, teor de umidade e gordura são intermediários em relação aos encontrados no mercado.

Conclusão

Os sais fundentes desenvolvidos pela empresa Granolab, aplicados na fabricação de requeijão cremoso, mantiveram o comportamento reológico (firmeza) e físico químico do produto, quando comparado com o produto que foi

elaborado com sal fundente comercial.

Ao comparar os produtos que utilizaram o Granosalt 9 e o Granosalt 10 com as marcas de requeijões cremosos comerciais é possível afirmar emrelação aos parâmetros físico químicos, que ao aplicar os ingredientes desenvolvidos, em queijo processado, estes resultaram em produto com desempenho similar aos encontrados no mercado.

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Resolução n° 82/96. Regulamento Técnico MERCOSUL de Identidade e Qualidade do Requeijão. Brasília, DF, 1996. Disponível

<http://www.anvisa.gov.br/legis/resol/mercosul/alimentos/82_96.htm> Acessado em 7 de jan. 2011

CAVALCANTE. A. B. D. Desenvolvimento e padronização de Formulações para o Processamento de Requeijão Tradicional. Viçosa: Universidade Federal de Viçosa. 1991. 104p. Dissertação (Mestrado em Ciência e Tecnologia de Alimentos) – Universidade Federal de Viçosa. 1991.

HASENHUETTL, G; HARTEL, R. Food Emulsifiers and Their Aplications, 1997, p 198.

PREGNOLATTO, W.; PREGNOLATTO, N. Queijo, manteiga, margarina e extrato de soja. Normas analíticas do Instituto Adolfo Lutz: métodos químicos e físicos para análise de alimentos. 3. ed. São Paulo: Instituto Adolfo Lutz, 1985. v. 1, cap.16, p. 233. MERCK. Reactivos, diagnóstica, productos químicos 1992 / 93. Darmstadt,1993. 1584 p.

SANTOS. J. A. (ed.) Nova Legislação de produtos Lácteos e de Alimentos para Fins Especiais, Diet, Light e Enriquecidos. Fonte Comunicação e Editora, São Paulo, 1998.

SILVA, C. R. et al. Utilização de Pirofosfato Tetrassódico como Sal Fundente no Processamento de Requeijão Culinário. Indústria de Laticínio, São Paulo, 2003. (Caderno Fazer Melhor)

VAN DENDER. A, G, F. Princípios básicos de fabricação de queijo fundido de requeijão cremoso. Leite e Derivados, v 1, n3, p 26, 1992.

VAN DENDER. A, G, F. Requeijão cremoso e outros queijos fundidos: Tecnologia de fabricação, controle do processo e aspectos de mercado, 2006, p 25.



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